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HÉRNIA EM OVINOS: CAUSAS, DIAGNÓSTICO, CLASSIFICAÇÃO E TRATAMENTO

Relato de Caso
Carlos Magno Bezerra de Azevedo Silva¹


Hérnia é deslocamento de um órgão ou parte dele da sua localização anatômica para uma cavidade neoformada ou natural através de um orifício anatomicamente frágil (Hunt, 2006). Neste sentido, quanto a sua estrutura, pode-se classificar as hérnias como verdadeiras ou falsas, congênitas ou adquiridas, esta última comumente denominada eventração. As hérnias também podem ser classificadas de acordo com a freqüência, época de aparecimento, percurso, relação anatômica, conteúdo, localização e topografia (SOUZA; ABILIO, 2007). Os ovinos podem apresentar hérnias em diferentes localizações anatômicas, os dados referentes a frequência de acometimento são bastante divergentes entre os autores, todavia, podemos citar as hérnias  umbilicais, escrotais, da parede abdominal, hérnia diafragmática e perineal. 
Hérnia por fissura abdominal em ovelha adulta.
O diagnóstico geralmente é realizado através do exame físico, principalmente através da palpação, entretanto, dependendo da localização pode requerer exames complementares, a exemplo da ultrassonografia e raio-x contrastado, em alguns casos o diagnóstico só é evidenciado na necrópsia. Como diagnósticos diferenciais podem ser citados hematoma, abscesso, flegmão e linfadenite.
O tratamento é cirúrgico. O protocolo anestésico depende da localização da hérnia e do exame físico que antecede a cirurgia. No caso relatado o precedimento de escolha foi a anestesia local.
Contenção, anestesia local e tricotomia 
 Exame das vísceras
 Redução da hérnia por fissura da parede abdominal

 Sutura da pele realizada com fio de nylon, pontos: em "x" (central) com os demais simples separado
Tratamento pós-cirúrgico: sulfadiazina prata (tópico), flunexin meglumine (sistêmico) e oxitetraciclina (sistêmico)
O caso relatado acima foi identificado em um ovino fêmea, adulta, com idade estimada de cinco anos, 35 kg aproximadamente, prenhez estimada de dois meses, temperatura retal, frequência cardíaca, frequência respiratória e movimentos ruminais dentro dos limites fisiológicos. O animal apresentava aumento de volume na região ventral direita do abdômen há cerca de seis meses, neste período, o proprietário relata alterações constantes quanto ao volume visível. Durante o exame físico foi verificado a presença de conteúdo de consistência flácida, sem alterações de temperatura, bem como a presença de um orifício de aproximadamente 5 cm de circunferência.
O procedimento cirúrgico foi iniciado com a contensão, tricotomia e anestesia local, logo após realizou-se  a incisão da pele, de aproximadamente 15 cm, quando pode ser verificado a presença de alças intestinais e de líquido abdominal de colocação amarelada, as alças apresentavam ingurgitamento de vasos e a presença de  uma úlcera,  não foram observados a presença de anel ou saco herniário, bem como, a existência de aderências. Foi decidido pela redução da hérnia com a sutura da fissura da parede abdominal. Logo após, procedeu-se a redução do espaço subcutâneo e a sutura da pele do animal. Foi indicado repouso e restrição de movimento do animal pelo tempo de duas semanas. A medicação imediatamente após a cirurgia, constituiu-se  em AI sitêmico, AB sistêmico e local, indicando-se mais duas aplicações do AI sistêmico (24x24 h) e do AB sistêmico (48x48 h). Por apresentar ingurgitamento das alças e a presença de úlcera o prognóstico é reservado.

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¹ Médico Veterinário do IF Sertão Pernambucano - Campus Salgueiro

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