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Uso de Volumosos Conservados na Produção de Ruminantes

A conservação de forragens deve fazer parte da estratégia de produção de qualquer produtor, principalmente quando sua atividade é desenvolvida na região semiárida. Os baixos índices pluviométricos, a irregularidade das chuvas e o seu curto período, ampliam a necessidade de organização e planejamento da atividade. 
Ensilagem
Fonte: sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br
Fenação
Fonte: www.cnpc.embrapa.br















Independentemente da técnica escolhida (fenação ou ensilagem), devemos adequar o método a realidade de cada produtor, seus custos precisam ser aferidos e a operação deve ser realizada com perícia, afim de amenizar as perdas e manter a qualidade nutritiva dos volumosos conservados.
A tecnologia permiti a conservação de forragem para períodos de escassez de alimentos. Para Oliveira (1996) o uso de forragens conservadas é uma alternativa capaz de explorar a elevada produtividade dos pastos tropicais no período seco do ano, proporcionando alimentos de alta qualidade, de maneira uniforme, ao longo do período de suplementação. O consumo desses volumosos resulta de interações complexas envolvendo as características das plantas antes do processamento, os fatores inerentes ao processo de conservação, as alterações no valor nutritivo durante o fornecimento aos animais, o processamento físico da forragem conservada e as características dos animais que serão alimentados com o volumoso (REIS; DA SILVA, 2006). 

ENSILAGEM
O processo de ensilagem resulta na produção da silagem, sendo conservada em estruturas denominadas de silos (trincheira, de superfície, sincho). Resumidamente a ensilagem de volumosos é a conservação através da fermentação anaeróbica, ocorrendo a conversão de carboidratos  solúveis em ácidos  orgânicos pela ação dos microrganismos. A sua qualidade está estritamente ligada a forragem utilizada, principalmente pelos fatores matéria seca (MS), umidade e reserva de carboidratos não fibrosos (CNF) que podem dificultar a compactação, alterar o pH, o tipo de fermentação e os ácidos orgânicos resultantes. Em síntese o processo consiste em:
  • Escolher forrageiras com reserva de energia adequada 
  • Cortar a planta no momento adequado (% umidade indicada)
  • Ensilar rapidamente
  • Compactar adequadamente 
  • Armazenar e vedar material ensilado adequadamente

FENAÇÃO
Consiste, basicamente, num conjunto de operações no qual se remove-se a umidade da forrageira de 80% para 15 a 20%. O material pode ser ensacado, enfardado ou amontoado, o importante é evitar o excesso de umidade e a falta de ventilação durante o armazenamento. Nas condições de semiárido várias espécies vegetais nativas da caatinga maniçoba, catingueira, faveleira, entre outras) podem ser utilizadas, mesmo com níveis elevados de substâncias anti-nutritivas, aliadas com outras fontes de suplementação, constituem-se alternativas viáveis para a alimentação e suplementação de ruminantes em períodos de escassez.

O produtor do semiárido precisa ter em mente que o normal para a região são os períodos secos entre 7 e 9 meses por ano. Períodos de bonança, com chuvas regulares e bem distribuídas são raros. Ele deve se preparar para a seca, sempre. As políticas governamentais atualmente são concentradas no combate aos efeitos da seca, não na preparação para a seca. Além disso, os valores dos seguros, bolsas e auxílios em períodos de estiagem são pífios, servindo apenas para manutenção do quadro de dependência social e política, não resolvem a vida dos sertanejos. Desta maneira, a fenação e a ensilagem, adaptadas aos sistemas de produção de cada propriedade, se constituem alternativas viáveis para a manutenção da produção e geração de renda durante períodos de estiagem.   

Carlos Magno Bezerra de Azevedo Silva
Médico Veterinário/ IF Sertão PE


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