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Controle de verminose em caprinos e ovinos no semiárido: atualização

Nos últimos anos a medicina veterinária vem aperfeiçoando as técnicas de controle de verminose nos rebanhos caprinos e ovinos. Conceitos são revistos, novas práticas introduzidas ou reeditadas. Vejamos alguns termos outrora desconhecidos ou pouco creditados, hoje, a chave para o sucesso do controle efetivo de endoparasitoses:
  • Refugia: Grupo de larvas que permanece nas pastagens sem sofrer a ação das drogas anti-helmínticas
  • Resiliência: É a capacidade do hospedeiro de resistir a infecção parasitária. Em outras palavras, os animais estão afetados, todavia, não apresentam sinais clínicos evidentes e contaminam o ambiente
  • Resistência: É a capacidade do hospedeiro de limitar o desenvolvimento do parasita, diminuindo a contaminação ambiental
  • Resistência Anti-helmíntica (RA): É a capacidade da população de parasitas de resistir a ação dos fármacos anti-helmínticos, mesmo com utilização da dosagem recomendada. Esta capacidade é transmissível aos descendentes, pode ser induzida através do uso indiscriminado dos fármacos
         
  • Hipobiose: É a inibição do desenvolvimento larval do parasita (dentro do hospedeiro) que ocorre durante períodos adversos para o desenvolvimento do ciclo de vida do parasita fora do hospedeiro, por exemplo, durante o período de seca
  • Spring rise: Aumento da eliminação de ovos no peri-parto, possivelmente devido a imunossupressão evidenciadas nas fêmeas durante este período.
Após alguns esclarecimentos podemos nos concentrar nos métodos de controle 
  • Método de Controle Integrado de Parasitas (CIP): Nada mais é, que a adoção de algumas medidas que, quando empregadas de maneira conjunta, demonstram eficácia na luta: produtor/animal x verminose. Vejamos:
    • Manejo nutricional: Sabe-se que animais desnutridos ou com deficiência nutricional são menos resistentes, não só a parasitose, mas também as demais enfermidades. Promovendo a contaminação ambiental
    • Manejo geral do rebanho: Técnicas de manejo do rebanho, como a limpeza e desinfecção das instalações e manutenção do conforto térmico proporcionadas pelas mesmas
    • Manejo sanitário: Emprego de medidas de controle e profilaxia (quarentena para os recém-introduzidos, vacinações e vermifugações) das enfermidades recorrentes em um rebanho (ectima contagioso, linfadenite caseosa, doenças podais, etc.)
    • Seleção genética: Seleção de animais resistentes as endoparasitoses
    • Pastejo rotacionado: Utilização de piquetes para realização de rotação entre as pastagens, visando a desinfecção dos pastos com a eliminação das larvas pelo efeito ambiental
    • Pastoreio com espécies de hospedeiros diferentes: Utilização de espécies animais mais resistentes aos parasitas comumente encontrados em caprinos e ovinos    
    • Controle biológico: Utilização de seres vivos para o controle dos parasitas. Atualmente são empregados alguns fungos hematófagos e sua ação é concentrada nas larvas das pastagens
            
  • Métodos Seletivos    
    • Método famacha: Utiliza a observação da mucosa ocular dos hospedeiros, através de uma tabela graduada, indicando o momento para o emprego do anti-helmíntico. Também possibilita a identificação de animais resilientes e resistentes, auxiliando na seleção do rebanho

    • OPG: Utiliza o resultado da leitura do exame de ovos por grama de fezes (opg) como parâmetro para a vermifugação do rebanho (neste caso, não será um método seletivo) ou do animal

  • Vermifugação Estratégica: Este método tem sido questionado, segundo alguns pesquisadores, da forma que é empregada, proporciona o desenvolvimento da resistência anti-helmíntica (RA). Para a região semiárida, este método indica, a concentração da vermifucação no período seco, que aliada a diminuição da reinfestação devido a diminuição de larvas viáveis no pasto (refugia), proporcionaria um controle efetivo da endoparasitose. Todavia, embora eficaz nos primeiros anos, a técnica apresenta um aumento da resistência aos anti-helmínticos empregados, pois as populações que sobrevivem aos fármacos produzem populações próximas do 100% de resistência
E agora, o que fazer? sou um defensor do Controle Integrado de Parasitas, todavia, não vejo empecilhos a associação dos métodos seletivos. De fato, a medicina veterinária está retomando alguns conceitos outrora amplamente difundido entre os produtores, afinal, este é quem mais conhece o seu rebanho. Manter os animais bem nutridos, as instalações limpas, vacinar o rebanho e vermifugar os animais que possuem sintomatologia clínica de parasitose é o que já se fazia há anos, porém, um dia algum "Dr." disse que o produtor estava errado, que a vermifugação tinha que ser em todo o rebanho e de maneira estratégica. 
  

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